Eu dancei com ela
Num misto de furor e calmaria
Como quem balança numa rede de varanda.
Ela sempre diz que não sabe dançar
Mas vem comigo num ritmo doce quando eu a abraço,
É que o amor move a alma que se contem no corpo.
Quando ela dança comigo minh'alma se acalma,
É dose inebriante de alivio pr'essa dor caustica.
Meus braços envolvendo-a em toda sua extensão,
Meu rosto colado no dela sem medo ou precaução,
Ela sorri que me arrepia toda a pele,
Que amor é vibração indomável
Como as águas d'uma correnteza.
E como não ver beleza nos lábios que se fundem
Como quem mata a sede na nascente?
E eu dancei com ela,
Nos seus passos bagunçados pela timidez,
Na docilidade do encontro de nossos mundos,
No sopro vívido do nosso reconhecimento,
No manto mágico dos nossos olhos famintos:
Distintos, disformes, destoados
E fomos o sumo desnudo do que nos emerge aos poros,
No suor que liquidifica o desejo,
E me mexo como os fluidos que escorrem pelas pernas
E evaporam subindo invisíveis e indivisíveis, aos céus.
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