Desculpa garota por te deixar entrar nesse quarto tão bagunçado. Foi quase um sonho ter seus olhos iluminando minha imensidão obscura.
Já não sei onde tudo em mim começa ou termina, e aqui a linearidade assusta, comove e é quase claustrofóbica. Faço um esforço danado pra não acumular e limpo tudo com uma frequência inacreditável, mas a verdade é que está tudo em ebulição constante e eu não sou forte como meu andar duro diz que sou. Meus olhos denunciam a fragilidade de quem juntou os cacos estilhaçados no chão da sala.
Eu queria ter te falado, baixinho e bem expressado, que eu só precisava ir pra casa, deitar a cabeça no travesseiro e deixar a confusão de hoje escorrer pra debaixo da cama. ( Quem sabe, num surto benevolente do universo poder cair em teus braços)
Nada consegui dizer, mal acenei com a cabeça quando você perguntou se eu estava bem, mal disfarcei o olhar perdido e as mãos agitadas. Eu queria ter ficado na inebriação do teu cheiro, eu queria ter sorrido ao ver você angariar vôo, desejando que seja doce.
Já não sei onde tudo em mim começa ou termina, e aqui a linearidade assusta, comove e é quase claustrofóbica. Faço um esforço danado pra não acumular e limpo tudo com uma frequência inacreditável, mas a verdade é que está tudo em ebulição constante e eu não sou forte como meu andar duro diz que sou. Meus olhos denunciam a fragilidade de quem juntou os cacos estilhaçados no chão da sala.
Eu queria ter te falado, baixinho e bem expressado, que eu só precisava ir pra casa, deitar a cabeça no travesseiro e deixar a confusão de hoje escorrer pra debaixo da cama. ( Quem sabe, num surto benevolente do universo poder cair em teus braços)
Nada consegui dizer, mal acenei com a cabeça quando você perguntou se eu estava bem, mal disfarcei o olhar perdido e as mãos agitadas. Eu queria ter ficado na inebriação do teu cheiro, eu queria ter sorrido ao ver você angariar vôo, desejando que seja doce.
Eu preciso passar um novo café toda manhã, e olhar pela janela, sentir o ar fresco invadir meu mundo, lá no fundo, e mesmo com toda essa materialidade, eu agradeço a alguma subjetividade por poder sentir por alguns minutos, logo cedo, essa paz.
Mas aí as lembranças vem, menina, elas sempre vem e me inundam de um líquido espesso, e passo o dia inteiro sentido o corpo pesado.
Enquanto estive contigo o tempo passou macio por mim, quase acreditei que poderia ser palpável, que poderia perdurar, e pendurar no varal, de uma vez por toda, essa colcha velha de retalhos.
Ainda não posso, me sinto exposta e solitária sem ela, sem essa velharia toda, sem essa nostalgia corrosiva, mas que alimenta alguma coisa que me mantem em pé. Eu preciso dessas lembranças, dessa saudosidade, do jogo de xícaras da minha avó, do turvo amor que eu tomei num gole só como veneno que intoxica mas não mata.
Você é fresca demais, nova demais, linda demais, e nesse acumulo de conjunções eu sou verbo inconjugável.
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